domingo, 29 de setembro de 2013

#01- Assisti na Semana


Guerra Mundial Z ( 2013 )

Um oficial das Nações Unidas, dez anos após vitória da humanidade contra a epidemia que transformou todos em zumbis, relata os acontecimentos enquanto escreve seu livro. Baseado em obra de Max Brooks. - Cineplayers

Confesso que assisti esse por causa do ator principal. Há muito tempo eu perdi o interesse em filmes de zumbi - principalmente pela mesmice - mas, aqui, esse problema é resolvido. Se anos atrás tivemos um filme que explorava o lado cômico dos mortos vivos ( Zumbilândia ), Guerra Mundial explora a correria, ação desenfreada, cenas tensas etc. Enfim, é um ótimo filme de ação que se sustenta, também, pelo talento do Brad Pitt que, para mim, é um dos maiores atores da atualidade.

Nota 4/5


Bling Ring - A Guangue de Hollywood ( 2013 )

Inspirado em fatos, conta a história de um grupo de adolescentes obcecadas pela fama, que vasculha a vida de celebridades com o intuito de invadir e roubar suas casas.- Cineplayers

Sou um eterno apaixonado pela Sofia Coppola. Adoro a ousadia do trabalho dela, a exploração do vazio, do adolescente e, principalmente, do olhar daqueles que não tem voz. Sou fã de outros diretores que abordam esses temas como, por exemplo, o sueco Lukas Moodysson que fez "4-Ever Lilya", "Fucking Åmål", "Um Vazio no meu Coração" etc.

Em "Bling Ring" Sofia continua falando sobre o jovem mas, dessa vez, levanta a reflexão sobre a fama. A "gangue" não rouba para ter, mas sim para se sentir. E, por meio dos sorrisos, somos convidados à observar as necessidades de cada um. 

Obs: Emma Watson, parabéns.

Nota 4/5 


Monstros ( 1932 )

Em um circo de atrações bizarras, a linda trapezista Cleopatra é cortejada pelo anão Hans, mas o rejeita até descobrir que este herdou uma fortuna. Seu plano, forjado com o amante Hercules, é casar para depois envenenar o pequeno, mas logo a armação é descoberta e os diferentes se unem pela vingança. - Cineplayers

Clássico dirigido por Tod Browning. Esse filme ficou pouquíssimos dias em cartaz e, depois de décadas, foi redescoberto e, hoje em dia, é considerado um Cult. O filme usa, como atores, pessoas com deficiência - tudo real e sem maquiagem - e se pegarmos a época de lançamento, veremos que ainda existia um pensamento primitivo sobre as pessoas "especiais". Seres do diabo, bichos, enfim. 

Sendo assim, Monstros é um salto muito grande. Tirando a parte histórica, temos um bom drama que, no seu final, se transforma em um terror. O que importa realmente é a coragem de realizar um filme que, até hoje, é considerado por muitos - por mim também - um dos filmes mais bizarros que existem.

Nota - 5/5



sábado, 28 de setembro de 2013

Thongsook 13



"O que era para ser um final de semana incrível entre amigos, se transforma em um terrível pesadelo após uma brincadeira impensada que acarreta consequências horríveis."

Thongsook 13, lançado esse ano, é um terror tailandês. Digirido pelo Taweewat Wantha, que fez, anteriormente, uma ficção científica chamada "Sars Wars" (?).

O filme começa com uma garotinha na enfermaria da escola, ela está deitada na cama e, ao lado, tem um garotinho olhando para ela. Os dois batem um papo até que ela revela que gosta de um programa de terror, que passa na Tv. O menino pergunta se ela não tem medo, ele se mostra um cagão e, sem um motivo aparente, pergunta para ela se está interessada em ver um fantasma de verdade.


Um início muito legal para um filme de terror. Já percebemos, inclusive, que o filme é de baixo orçamento mas, em nenhum momento, compromete a história. Aliás, para um filme tailandês, eu até diria que é muito bem produzido. 


Na verdade, esse filme não me deu medo, nem me deixou tenso. Porém a forma que é construído a história do grupo de amigos, que acabam sacaneando o garoto do início do filme, é muito interessante. No fim, se torna um bom passatempo e, no final, ainda tem uma "surpresa" perturbadora.

terça-feira, 24 de setembro de 2013

A Prima desejada



Uma forte e recíproca atração física desde a infância entre Enzo e sua prima Ágata caracteriza a história contada neste filme italiano. Ao mesmo tempo um terceiro personagem, Nini, outro garoto de mesma idade, participa do enredo que enfoca o crescimento do trio até a vida adulta.

"La Cugina", dirigido por Aldo lado, é uma comédia, italiana, com um toque especial de erotismo. Realizado em 1974, o filme abusa das expressões exageradas e, até por isso, não se torna cansativo nas repetidas cenas de sexo - leia-se homens tocando nos peitos das mulheres.


O filme começa mostrando os dois primos se conhecendo melhor, em uma cena muito interessante onde Ágata - até então uma adolescente - fala sobre o desenvolvimento dos seus seios e permite que o primo os toque, soltando a seguinte frase:

"Você é o primeiro homem que toca neles"

Bem, tirando algumas cenas hilárias, eu achei o filme fraco. Assisti pensando que seria tão legal quanto Malícia, por exemplo, mas logo nos primeiros minutos percebi que ia ser completamente diferente.

Sustentado brilhantemente pelo carisma de Massimo Ranieri e a beleza estonteante da Dayle Haddon, "A Prima Desejada" é um filme divertido que tem, como melhor cena, o final, quando - finalmente - os dois primos fazem sexo perante uma situação nada amistosa. 


Curiosidade: A trilha foi composta, editada e executada por Ennio Morricone, mas não espere nada magnífico.




terça-feira, 10 de setembro de 2013

Rubem Alves - O professor de espantos





Até que ponto estamos dispostos a abandonar tudo o que conquistamos para viver novas experiências? E até onde conseguimos ir quando o caminho exige priorizar coisas tão esquecidas no mundo atual como a beleza, a poesia, a arte e a capacidade de aprender com olhos de criança? 

Para o escritor, educador, teólogo e psicanalista Rubem Alves, transpor esses limites é um desafio que se impôs desde a infância e que ele sempre aceitou, sem medos. 

No documentário "Rubem Alves -- O professor de espantos", conhecemos um pouco da vida deste educador: seus sonhos, ideias e realizações e também as interrogações diante do envelhecer. Considerado um dos maiores pensadores contemporâneos da educação no Brasil, o "jardineiro" Rubem Alves semeia ideias tão "revolucionárias" que acabam, por um lado, provocando a crítica e o desprezo de muitos setores da intelectualidade brasileira e, por outro, conquistando a cumplicidade de todos os que são apaixonados pela Educação. "Rubem Alves, o professor de espantos" tem direção de Dulce Queiroz e compõe mais um episódio da série Memórias, da TV Câmara.

FICHA TÉCNICA

Direção e Roteiro: Dulce Queiroz

Produção: João Gollo

Produção Executiva: Dulcídio Siqueira Neto

Imagens: Cícero Bezerra e Claudio Adriano

Edição e finalização: Guem Takenouchi

Animação: Tiago Keise

Coordenação de Produção: Santiago Dellape

Auxiliar de cinegrafista: Misael do Rosário

Pesquisa: André Bergamo e Dulce Queiroz

Trilha Original: Alberto Valerio

Realização TV Câmara 2012


terça-feira, 13 de agosto de 2013

A eterna musa do Sexploitation

É... o tempo passa né amor?

Quando pensamos em sexploitation é bem provável que, dos vários nomes, uma moça tenha maior destaque na nossa lembrança: Christina Lindberg. 
Essa eterna ninfeta - com vinte e poucos anos ainda tinha carinha de 11 - moveu litros e mais litros de esperma, principalmente na década de 70. Auge dela e, também, desse "sub-gênero" chamado sexploitation.


Christina Lindberg

Ela nasceu em 1950, na suécia. Ficou conhecida, principalmente, no final dos anos 60 e início de 70 pelo seu trabalho como atriz e modelo. E, claro, com sua beleza de menina virgem, não demorou muito para fazer um estrondoso sucesso no país e, consecutivamente, no mundo. 


Minha proposta com esse texto não é explicar o que raios é o sexploitation e, muito menos, fazer uma biografia da longa (?) carreira dessa excelente atriz (?). Escolhi três filmes dela para recomendar, pois, acho interessante divulgar, também, esse cantinho - quente - do cinema.

Vamos lá:


A Cruel Picture ( 1974 )


"Garota é violentada quando criança e perde a fala. Na adolescência, ela vai ser enganada por um pilantra que a vicia em heroína e a prostitui, controlando-a através do vício. Depois de passar por todo tipo de sofrimento, a jovem consegue um treinamento em tiro e artes marciais, partindo finalmente para a vingança. Foi o primeiro filme a ser banido da Suécia - país de sua produção - por causa de suas cenas de sexo e violência"

Tenho que destacar, inicialmente, que o diretor deste filme é o Bo Arne Vibenius. Ele trabalhou com Ingmar Bergman em dois filmes, como assistente. Reza a lenda que, após terminar esse "Filme cruel com slow motion no talo", Bo Arne Vibenius ( que eu chamo carinhosamente de "Bo" ) fez uma exibição exclusiva para, até então, seu mestre Bergman. 

Ele ficou mais ou menos com essa cara ai, ó

O resultado, claro, é que ele detestou o filme. Tento imaginar que ele sentiu a falta de uma pitadinha de crise existencial na protagonista, afinal, ela fora estuprada, violentada, chutada, socada, aprisionada, drogada e furada - no olho também -, no mínimo, 11558148466684684 vezes.

Tarantino também curte esse filme!

Tarantino, chegado em uma ninfetinha.

Tarantino é o cara que faz, hoje em dia, muita gente voltar no tempo - e se despir - para assistir "a cruel picture". Ele já falou diversas vezes que adora o filme e, claramente, é uma das diversas obras que influenciaram o diretor. 
Mas esse não é o único filme da Lindberg que inspirou o Taranta, tem um chamado "Furyô anego den: Inoshika Ochô":



"No início do século XX, o Japão vivia um momento de transição, em que a ideologia samurai dos séculos anteriores era substituída pelo modernismo ocidentalizado. Neste cenário, a jovem jogadora e espadachim Ochô Inoshika (Reiko Ike) jamais deixou de ansiar por uma vingança contra aqueles que assassinaram covardemente seu pai. A oportunidade vem quando ela cruza o caminho de um rebelde samurai em sua luta contra a nova ordem policial, e mais tarde com uma jogadora e espiã ocidental de interesses misteriosos (Christina Lindberg, a musa cult de Anita - Ur en Tonårsflickas Dagbok)."

Também conhecido como "Sex and Fury". Esse filme é um espetáculo. Uma das primeiras cenas é a protagonista saindo da banheira ( nua, antes que me perguntem ) para matar capangas do mal, tudo isso na neve!


Anita ( 1973 )


"Uma jovem chamada Anita (Lindberg) sofre de problemas psicológicos e de promiscuidade sexual, devido à sua infância problemática e pais distantes. Ela encontra Erik (Skarsgård), um aluno de uma universidade local, que tenta ajudá-la por meio da análise de seus relacionamentos anteriores. Depois de revelar seus mais íntimos e violentos encontros para Erik, ele determina que, para ela superar sua ninfomania, primeiro tem que experimentar um "verdadeiro" orgasmo! Anita é um clássico sueco controverso de exploração estrelado pela atriz cult Christina Lindberg (THRILLER: A Cruel Picture) e pelo muito jovem Stellan Skarsgård (Pirates of the Caribbean: At Wourld's End), em um de seus primeiros papéis."

Em menos de 3 minutos, a protagonista, Anita, chupa dois caras. Sendo que o segundo ela vai com ele na sua barraca no meio da rua ( alguém me explica como apareceu aquela barraca!? ), feito exclusivamente para acalmar a sua fome por sexo.
Fome por sexo... ai, ai, fome por sexo... Esqueçam "Shame", esse filme cult e muito bem realizado sobre o tema, e venham curtir uma safadeza ( extremamente mal feita, leia-se divertida ) com a querida Anita!

Lindberg e Stellan Skarsgård. Sim, Stellan Skarsgård do Piratas do Caribe, Exorcista, inicio...



O sexo aqui está até no vento que sopra os lindos cabelos da lolita. Ou você acha que é à toa que, logo no início do filme, ela vai em uma barraquinha de lanche e compra uma salsinha ( ou será que foi minha mente pervertida? )

E, se no "A Cruel Picture" podemos imaginar um conflito existencial na protagonista, em "Anita" podemos aprender um pouco de psicologia com o amigo ( um pouco gay ) da mocinha protagonista.


Descobrimos que ela precisa ter um orgasmo. Então ela vai tentar - a todo custo - no seu quartinho, usando um vibrador. Então ela joga o vibrador no chão, sem nenhum motivo. Bem, cabe a nós achar que tem algum sentido nisso.




Bem, essas foram as minhas recomendações, pode apostar que vale a pena assistir, pelo menos, pela diversão. Se vocês encontrarem dificuldades para fazer download ( raramente vão encontrar para comprar ) me avise e tentarei ajudar. Postei algumas fotos dela nesse link. Apreciem com moderação.

Bem, é isso. Aqui no blog Cronologia do Acaso, filosofia e sacanagem andam lado a lado! Até a próxima!


Algumas fotos de Christina Lindberg

Leia aqui a postagem que indico três filmes da atriz sueca Christina Lindberg, musa do sexploitation, imortalizada com sua personagem de tapa-olho em "A Cruel Picture".





















domingo, 11 de agosto de 2013

Curta-metragem: Lisa ( 2008 )



Depois de me encantar com a atriz Nina Rodriguez no maravilhoso "No e Eu", fiquei curioso em conhecer, mais especificamente, seu primeiro trabalho em um curta francês chamado: Lisa, de 2008.
Sou um apreciador de filmes que consigam - direta ou indiretamente - transmitir para quem assiste o olhar de uma criança sobre o mundo e as pessoas.
Foi, então, uma adorável surpresa encontrar esse curta-metragem francês dirigido pelo Lorenzo Recio - que tem outros curtas impossíveis de encontrar.



Lisa é uma criança que vive com os pais e dois irmãos numa casa isolada, sob a firme autoridade do pai. Um dia, Lisa rompe com ordem sagrada familiar.


terça-feira, 6 de agosto de 2013

Quem é o culpado da burrice?

Que burro, dá zero pra ele!

Hoje em dia escuto muitas pessoas reclamando sobre o conteúdo disponível na TV, dizem que é incultural, péssimo gosto, não ensinam nada e etc e que certos programas emburrecem o telespectador. Concordo parcialmente com isso, de fato o que é transmitido atualmente na TV é de qualidade duvidosa mas não podemos culpar a tv pela burrice da população. O telespectador é dono do controle remoto e pode decidir o que quer ver, ele escolhe assistir reality shows por que quer, não porque alguém obrigou ou a programação mandou assistir, alguns dizem que não assistem reality shows porque não adicionam em nada, mas também não assistem um programa de conteúdo educacional ou documentários, ou seja, um bando de hipócritas.
Não se ofendam, mas estamos mais burros sim, se compararmos o nível intelectual dos programas antigos com os atuais perceberá que até os programas de comédia tinham piadas inteligentes, hoje em dia o que passa nesses programas de comédia são esquetes repetidas e sempre com os mesmos bordões, vai que se mudar o telespectador  não entende a piada, né? Me lembro que quando criança adorava assistir Castelo Rá-Tim-Bum, O Mundo de Beakman e Sítio do pica-pau amarelo além de vários outros desenhos da antiga e saudosa TVE (TV Educativa), eu gostava de aprender e me divertia com as experiências que realizavam e ficava fascinado com tantas coisa legais que existiam no mundo. Hoje em dia as crianças ficam fascinadas por uma galinha gigante, bombada e azul, cantando músicas que nada adicionam em sua cultura e que falam de namoro.

Alguém me chamou?
Aqui é uma opinião própria, não é a verdade absoluta, mas acredito que o que passa na TV hoje em dia é o reflexo do que a população consegue compreender, acho que se colocarem algo mais inteligente não entendem, por isso que esses programas sempre repetem as piadas e a população prefere escutar músicas de refrões monossilábicos (sim, estou falando do tchu e do tcha), mas do que isso não conseguem gravar. Como eu escrevi no início, se mudar o bordão não entendem mais a piada. Boa parte das pessoas não leem livro, algumas sequer leram um na vida, tem dificuldade na compreensão de textos e não gostam de filmes legendados, ou melhor (eu escutei isso uma vez), filme com letrinhas. Para concluir, não devemos culpar a TV por aquilo que nós estamos nos tornando, mas sim nos culpar pelo o que a TV está se tornando.

Você não é a culpada, está absolvida!


Texto escrito pelo meu grande amigo Sandro Macena

Olá. Sou Sandro Macena e esse é meu primeiro texto para o Cronologia do Acaso, tenho muito que aprender, posso ter errado em algumas partes, acertado em outras, mas o importante é que vocês opinem para que eu possa melhorar sempre, escrevam seus comentário, participem! Aqui eu me despeço, até a próxima pessoal!

sexta-feira, 3 de maio de 2013

Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças

Mente que brilha eternamente


 

A cena inicial de Brilho Eterno não poderia ser melhor. Joel, nosso herói, acorda em seu quarto e se prepara para ir ao trabalho.

“Pensamentos avulsos para o dia dos namorados, 2004. Hoje é um dia inventado pelos fabricantes de cartões para fazerem as pessoas se sentirem como bostas...”

Sem um motivo óbvio, aparentemente, ele segue outro rumo no seu dia, que outrora seria apenas mais um.

“Não sei por que, não sou uma pessoa impulsiva...”

Eu, pessoalmente, não acredito que exista uma pessoa que não seja impulsiva pelo menos uma vez. Às vezes, dependendo do que, claro, precisamos seguir nosso coração e deixar a razão de lado. Só assim estaremos aptos a refletir sobre nossas decisões e aprender a aproveitar o momento. Perceba, por exemplo, que assistindo um filme, mesmo que seja um bem bobo, o momento que você está passando dita a sua identificação com os personagens e seus respectivos objetivos. Ou seja, o cinema tem o poder de trazer sentimentos guardados pelo simples fato de ser sincero e, nesse ponto, Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças é perfeito.


Os dois protagonistas, Clementine e Joel representam o oposto. E é fascinante perceber que até mesmo os atores exemplificam isso: Kate Winslet sempre interpretou mulheres ricas e comportadas. Já o querido Jim Carrey, não precisa nem falar não é?

O que temos aqui é, essencialmente, o oposto. E já que o filme se passa pela visão/memória do Joel, pode ser que nem todas as imperfeições de Clementine sejam verdadeiras, talvez ele só esteja distorcendo as suas perfeições. Mais realista e sincero que isso é impossível. Essa ideia central é muito identificável, seja para um idoso e toda sua experiência ou até mesmo jovens e seus primeiros contatos com a paixão.

Buscamos a igualdade quando, o que nos move, é a diferença. A base de uma relação é exatamente a troca. Como trocar o que já se tem? Teimamos em acreditar que a igualdade é fruto de uma boa escolha quando, na verdade, ser igual é respeitar a visão do outro, independente se concorda ou não.


Qualquer pessoa que passou por esse mundo teve contato com essas questões, e, quando penso nisso, fico emocionado com a coragem dos criadores – Seja o roteirista Charlie Kaufman ou o diretor Michel Gondry – em unir isso a uma linguagem e visual da cultura pop. Por exemplo, o que mais vejo na internet é pessoas falando sobre a cor do cabelo da personagem, que captura os sentimentos vividos em cada momento. Pela quantidade de gente que destaca esse ponto, porque ouviu em outro lugar ou não, é possível perceber como a essa difícil mensagem é facilmente transmitida para essa nova geração.

Somos filhos do audiovisual, internet, da cor, do pop e da tecnologia como um todo. Nosso interesse não é mais no classicismo, queremos viver mais em menos tempo, sentir mais de uma forma mais rápida. Algumas linguagens se tornaram inacessíveis. Autores, antes aclamados, hoje são chamados de vovôs. E você que reclama do “alienamento” dos jovens perante a uma programação que, a seu ver, é de baixa categoria, saiba que você também já esteve alheio em alguma fase da sua vida. A grande questão não é mudar, isso é inevitável. A questão é estar preparado para mudança. A arte surge com uma importância gigantesca – como sempre foi – para transmitir mensagens de outra época, mas, com um visual descolado, personagens em meio a correria do dia a dia, solitários, se questionando e questionando o amor que tem ou falta, cria-se uma mensagem atemporal que dialoga muito bem com essa nova geração.


Fico boquiaberto com a construção por meio de nuances dos personagens. Joel vai para Moultalk – sentindo o vento – e, em certo momento, sentado em uma lanchonete vê uma mulher estranha de cabelo azul. Ele olha timidamente para ela e, quando percebe que ela retribui o olhar, ele abaixa rápido a cabeça e se esconde atrás do seu diário, onde desenha seus momentos e escreve pensamentos aleatórios que, significativamente, representa o seu coração.

“Porque será que me apaixono por qualquer mulher que me dá o mínimo de atenção”?

Agora, pergunto, qual homem tem coragem de dizer que se apaixona facilmente? A verdade é que, muitas vezes, nos apaixonamos platonicamente. Alguém passando na rua, no ponto de ônibus, cinema ou praça, vivemos rodeados de pessoas e, quando estamos sozinhos, nos questionamos sobre a ausência de alguém, mas como pode? Se estamos rodeados de pessoas, porque não conhecemos ninguém? 

Simplesmente porque não temos tempo. Estamos preocupados com a conta, estudos, trabalhos, compras etc. Nem ao menos somos capazes de olhar para o lado hoje em dia. Seguimos de cabeça erguida e caminhando apressadamente sem notar que tudo esta acontecendo do nosso lado. Todos estão do nosso lado. Mas, infelizmente, o que realmente queríamos gritar para o mundo, nós escrevemos em nossos corações. Resta-nos olhar, olhares somente...


Raramente, na história do cinema, foram criados personagens/ideias com tanto carinho. Percebam que cada roupa e objeto tem uma importância enorme para a trama. Por exemplo, quando Clementine está dormindo no carro e pergunta para Joel se ela pode dormir na casa dele, ela vai pegar sua escova de dente,e esse é exatamente o fim do começo e começo do fim. Mas, claro, o processo todo do esquecimento é baseado em uma série de objetos que situam ambos em momentos bem simples, mas extremamente importantes.


“Vou me casar com você. Sei disso.”

O esquecimento, como visto no filme, é simbolicamente a nossa mania de querer superar as pessoas. Poucas coisas doem tanto como a separação. Mas lidamos com ela de uma forma errada, ou melhor, precipitada. Vemos esse momento como a hora de superar, passar por cima ou até mesmo esquecer. Mas se uma pessoa entra em nossa vida, algumas por tanto tempo, não podemos simplesmente esquecê-las. Temos que, mais uma vez, aprender a lidar com a ausência. Momentos, discussões, sexo, carinho, olhares, sorrisos, beijos... Tudo o que se passa junto deve ser imortalizado. O fim é uma questão de tempo, e tempo para cada pessoa é diferente. A vida a dois é construída pela aceitação do tempo do outro, mas, mesmo assim, às vezes, não conseguimos entender o nosso próprio. No fim, separação é não estar bem consigo mesmo.

“Srta. Kruczynski não estava feliz e queria seguir em frente. Nós oferecemos essa possibilidade.”


A mente que brilha eternamente é aquela que vive. Que se atreve. Que se doa e aproveita. Temos pouco tempo nesse grande palco da vida para apresentar nossos sentimentos de uma forma clara e, principalmente, ajudar alguém a compreender os seus. Enxergamos o próximo como meu, quando nem ele é dele. Precisamos parar de exigir a igualdade, para que assim possamos desfrutar a diferença.

Cuidamos para crescer. Amamos para sermos amados. Vivemos para sorrir. Momentos passam rápido, seja ele ousado (como deitar em um rio congelado), romântico ou aventureiro, mas, o que verdadeiramente importa, será eterno. Assim deve ser.


“Feliz é o destino da inocente vestal, esquecendo o mundo e sendo por ele esquecida. Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças, onde toda prece é ouvida, toda graça de alcança.”





- Joel, eu sou feia?
- Quando criança, eu me achava feia. Às vezes acho que as pessoas não entendem a solidão de ser criança. Como se você não fosse importante. Eu tinha 8 anos e tinha brinquedos. Essas bonecas. A minha preferida era uma boneca feia que eu chamava de Clementine. E eu gritava para ela:
- Não pode ser feia! Seja bonita! ... Estranho. Como se, caso eu pudesse transforma-la, eu também mudaria, magicamente.
- Você é linda – Disse Joel olhando nos olhos de Clementine. Em uma mistura de carinho, sinceridade e desespero.
- Joaly, nunca me deixe.
- Você é linda. 
- Por favor, deixe-me guardar só está lembrança, só está! - Ele gritou.

“Abençoado os esquecidos, pois tiram o melhor de seus equívocos”














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