terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

Um Estranho no Lago, 2013


" - O que você procura realmente?
- Temos de procurar por algo?"


Então, confesso que tive que passar por cima dos meus próprios preconceitos para assistir esse filme. E é complicado já começar escrevendo isso em um mundo onde qualquer palavra sobre determinados "temas" vira ofensa. Enfim, o filme agride, principalmente, em dois sentidos, ambos derivados da mesma coisa: A repetição.

Primeiro é a clara exposição do pênis, aquela naturalidade, como animais mesmo, o que seria absolutamente normal, tirando o fato de que, no filme, o diretor deixa claro que quer tirar qualquer sentimento existente entre esses homens, eles estão constantemente em busca do gozo, literalmente. Isso me chocou no início pois, ressaltando o que disse acima, eu sou uma das pessoas mais abertas que existe para o sentimento. Acredito fielmente que existe inúmeras formas de amar, e apoio que todos e qualquer seres humanos devem se assumir. ( deixando claro que essa afirmação vai muito além da opção sexual ).

Então se o filme tira o sentimento, essa é realmente a intenção e fica claro ao longo - logo mais eu explico - sobra, literalmente, o corpo. E, movido pela minha ignorância, não conseguia enxergar a real intenção do diretor.

O segundo ponto é uma extensão do corpo, o sexo. O sexo soa muito banal no filme, é isso que acontece: Homens ficam a margem do lago ( totalmente auto explicativo, a margem da sociedade ) e, quando conhecem alguém, sem qualquer envolvimento sentimental, eles caminham até o bosque e fazem sexo. E como tem sexo! Chupam por nada. E, repito, no início me pegou de surpresa, pois esperava sentimento.

Ao final pude perceber que meu instinto masculino me tirou a visão, estava tudo diante dos meus olhos, algo extremamente interessante essa experiência, aliás. É muito legal a forma que vemos o que eles veem, sentimos o que eles sentem ao longo, o filme caminha em direção ao próprio preconceito que existe acerca daqueles homens, a sociedade recrimina o sentimento entre eles e, é claro, sobra o desejo, o lago representa a sociedade, a praia é a situação que eles se encontram e o bosque surge, então, como o desejo.



Por isso, ao meu ver, o ponto realmente alto é a amizade entre o protagonista e Henri, um sujeito que se apresenta o tempo todo extremamente incomodado em estar naquele ambiente. Mas por qual razão ele continua voltando? O próprio afirma que, algumas vezes, não precisamos procurar nada, simplesmente fazemos. E ai diz tudo, ele está sentado na sua própria situação: a dúvida. Ele acaba de romper um relacionamento hétero, em meio à ele ele se envolvia com um homem, e está ali sentado refletindo sobre escolhas. Não se importa, então, com o corpo - leia-se pinto e bunda, assim, grosso mesmo, como o próprio filme se apresenta para aqueles que não se interessam em ver adiante - ele mesmo fala para Franck que se sente como se estivesse apaixonado, mas não pensa em sexo com ele. Esse personagem representa o sentimento desses homens.



O suspense final foi uma surpresa para mim, pois não tinha lido nada antes de assistir, e fico feliz por isso. Achei lindíssimo o investigador que, por ironia, surge repetidas vezes, chegando até a irritar quem assiste o filme. Em dado momento ele, em meio a sua investigação, afirma: Não estou lhe pedindo compaixão nem solidariedade. E é a prova de que, naquele lago, não há liberdade, pelo contrário, o medo está presente e todos, desde o punheteiro até o galã Michel - que diga-se de passagem tem o visual inspirado por atores pornôs da década de 70/80 -, enfim, no final pude perceber o quão sensível o filme é na sua insensibilidade.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Uma carta para Woody Allen


Pensando em escrever sobre Woody Allen, a única coisa que vinha na minha cabeça era que o Woody Allen jamais escreveria sobre um diretor. Sei lá, não entendi muito bem esse pensamento. Ou melhor, entendo muito bem. Woody Allen sempre foi o meu avô chato e ranzinza, aquele que tenta evitar mostrar muito sentimento, mas não se aguenta e se utiliza das letras para compor uma música. Música? Sim, adorável companheira. Pensando bem, tudo isso é fruto da letra. 

Woody Allen me ensinou a escrever. Desde meus treze aninhos me assusto com o meu processo de identificação com esse neurótico, amante, mulher, escravo sexual, fofinho... Sempre digo, aliás, que era para eu ser ele, se não fosse pelo fato de ser bonito de mais e morar no Vale do Paraíba. Engraçado esse processo, como pode? como acontece? Sério, os filmes dele me tiraram da tristeza, me fizeram sorrir em momentos escuros, momentos que olhei para esses óculos enormes e me senti acolhido. Acolhido por um intelectual, totalmente diferente de mim mas, ao mesmo tempo, igual. Ele me fez adorar obsessivamente as mulheres, ao ponto de saber muito sobre e ter uma dificuldade grande em dar certo com elas. Ele me fez querer buscar aquela que nunca conheci e, quando conhecer, verei que não é exatamente a mesma pessoa. Buscar o inalcançável, buscar o nada, simplesmente estar, fingindo ser indiferente e imparcial por fora, enquanto o seu ( nosso ) coração chora por desabafo. Dar a opinião é tudo que esse senhor ( meu avô ) faz. Ele é a opinião. Ele é um homem, e mesmo que pareça simples, como é difícil o ser hoje em dia. Mais ainda, como é complicado ser você mesmo. Como é complicado se relacionar e, mais complicado ainda, é tentar transmitir para o outro o quão difícil é para você, no mais pessoal da palavra, se relacionar. 

Nos relacionamos porque precisamos do outro. Precisamos nos dividir, nos imortalizar. O próprio Allen cita que "não quer se imortalizar com suas obras, e sim não morrendo", isso vovô, a vida é muito menos complicada do que teimamos em imaginar. A vida é o que é. Nós estamos, dividimos e morremos. Voltamos nas suas citações, no qual ele afirma que sua vida mudou depois que tomou conhecimento que a vida acaba. Enfim, à partir dai, a vida se torna, sim, complicada, se torna inumerável, inquestionável e apetitosa. Allen, Woody faz da vida, que outrora fora definida como solução, uma incógnita. Somos o que somos, indecifráveis. Não para ele, o homem na sua individualidade é decifrável quando o próprio se filma, se registra, sente e deixa ser sentido. O próprio divide, não mais com Mia Farrow ou Diane Keaton, mas com Annie Hall e Hannah e, claro, com o mundo. Mundo esse pequeno demais, para um artista tão grande. Os fãs do Woody sabem muito bem que ou gostam dele, ou odeiam. E tenho dito.


Tenho costume em não gostar muito desses intelectuais do cinema, que esbanjam chatice em alguns filmes, aqueles que se tornam muito particulares, não pela personalidade exposta no trabalho, mas pelo didatismo. Na minha humilde opinião a arte não necessita de regras e, portanto, não há regras para classificar o que é arte. Arte se torna, então, o olhar de cada um. Se Abbas KIarostami despertou no nosso interior que a mentira poderia, sim, ser uma arte ( vide close-up ) podemos atribuir o ser como um artista,  e aquela que seria sua maior obra é: a sua passagem.

Inspirar também não é uma regra mas, existem pessoas que se dedicam tanto que inspiram simplesmente por existir. Digo, então, que Woody Allen já me abraçou, beijou, me xingou, abriu meus olhos, me fez rir, me criou. Te devo, caro amigo, meu olhar, pois para mim você é o maior artista que já passou pela terra. Você é, para mim, espelho do indivíduo e suas ambições/fracassos. 

"Foi com você que eu tive a pior noite da minha vida" - Hannah e suas irmãs

Como é bom te sentir. Como é bom poder te amar. E é com lágrimas nos olhos que te digo, caro amigo, obrigado.


Ps: Abraços sinceros de um humilde menino que te tem como exemplo, seja isso bom ou ruim, e que se apegou tanto aos seus carinhos que não sabe se é uma cópia sua ou é tudo mera coincidência. Uma coisa eu tenho certeza, você me escolheu por algum motivo e, assim vamos levando com jeitinho, mais tarde te conto uns babados que anda rolando comigo. 

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Clube do Nada


Quando assisti "Clube da Luta" pela primeira vez foi... nossa, foi louco. Até então "Magnólia" mexeu com o meu coração, 4-Ever Lilya despertou minha sensibilidade, "Sozinho Contra todos" moldou o meu senso de realismo, "Felicidade" transformou a minha cabeça. Mas, quando vi "Clube da Luta", um filme bem mais conhecido e discutido por "entendedores da cultura pop" eu posso dizer, com certeza, que ele mexeu com o meu instinto.
Lembra daquele episódio sensacional de Breaking Bad? Rapid Dog? Então, parando pra pensar, existe um cão raivoso dentro de cada um. Somos animais que, por ironia do destino, aprendemos a pensar, sorrir e, pior, aprendemos a conhecer o tempo e sabemos - alguns sabem, óbvio -  que o tempo está acabando nesse exato momento. Somos os únicos bichos que tem conhecimento da morte e isso, querendo ou não, muda tudo.

O que é o conhecimento?

Engraçado, eu ouvi muito falar de conhecimento na faculdade. E, talvez, eu tenha me influenciado muito pelo meu cão pastor, pois eu cago pra qualquer pensador que se vangloria por mudar a história do mundo com suas teorias e inventos. Eu cago. Eu cago para regras. Se eu sigo? Claro. Mas eu cago. Meu cão raivoso, com a boca cheia de baba, mostra os dentes para diplomados que, do diploma, se tornaram dependentes.

Temos nossa vida, cada um tem - ou deveria ter? - pra cuidar. Para resolver. Para acabar. Então, foda-se a segunda guerra mundial. Existe um guerra dentro do ser que é infinitamente maior que essa babaquice toda. Aliás, a babaquice fora resultado da própria guerra interior.

As cidades já foram construídas, casas já foram feitas e as estradas estão ai. Resta-nos destruir, só isso. Não é difícil. Não deveria ser, mas se torna. Porque é difícil viver aqui? O que essa merda tem que me faz pensar mais do que agir? Porque raios me preocupo? Isso é uma regra escondida? Quando eu estava no paraíso dos bebês veio um anjo negro e disse:

- Vai. Se sinta angustiado e reflita sobre a sua vida de merda enquanto o mundo anda a caminho do fim.

O que é o conhecimento? Para você, louco que está lendo o que escrevi há dias, eu posso ter morrido na semana passada e meus textos chegaram até os seus olhos, você leu e não entendeu porra nenhuma. Ou melhor, entendeu. Pois é um angustiado assim como eu. Procura verdades não é? Não se entende. Tem medo. Vive sua vida pacata todos os dias. É obrigado a pedir licença, por favor, sorrir para o patrão só para conseguir se estabilizar. Bem, saiba que, sorrisos falsos faz de você uma prostituta. 

Porque eu amo cinema? Há, puta merda. Uma industria de filhos da puta que fazem um filme ridículo de super heróis para ganhar dinheiro dos fãs de quadrinhos que, esses sim, possuem alguma coisa relevante além de poderes e piadas. Que isso? Estou gritando para o mundo que quero ser roubado? Vou baixar, fazer download, compartilhar esse filme e todos que se danem. Será?

Além disso, existe uma classe pior. Os críticos. Analisam os filmes jornalisticamente/formatadamente/cretinamente/acham-que-sabem-tudo-mente/porcamente/porque mente?

Enfim, a vida é assim. Você vive, por mais simples que seja sua vida, e sempre terá um que criticará a sua obra. Somos um bando de críticos que porra nenhuma. Cão, babão, raivoso e crítico. 

Conhecimento? Não sei ainda. Espera, deixa eu fumar mais um pouco. Não, pera. Não me importo com o que é conhecimento. Acho, inclusive, engraçado aquela frase que rola muito no Facebook ( inferno ): "entendedores entenderão". Haha. É, entender é tão banal quanto essa frase. Conhecer é pior ainda. Conhecimento te faz menos humano. Começa a achar que o mundo é só as porcarias que lê. Auto ajudas de merda. As pessoas que os escrevem são tão fodidos quanto você.  Vai pro inferno com auto ajudas. Facebook!?

Internet, criança e inferno.

Para você, criatura com medos de 12 anos, vou te dizer uma coisa: Houve um tempo, não muito longe do seu tempinho, que ser criança significava, literalmente, ser criança. É, engraçado. Eu sei. Pode dar risada o quanto quiser. Mas você virou um robô com corpo de bebê.

Eu cresci na roça. Nossa! Que delícia! Pés no chão, descalço, jogando bola na rua, soltando pipa, correndo, maluco. Contato com a terra. A terra nos entendia e era uma relação saudável. Até que, certo dia, um coleguinha nos chamou para sua casa e, bem, nossa é até difícil falar, ele apresentou uma coisa magnífica e estranha para as, até então, crianças. Ele mostrou um aparelho chamado: Vídeo Game. Assim mesmo, V.I.D.E.O G.A.M.E. Meu deus, aquilo era perfeito, então com meus 13/14 anos a terra se tornou somente uma terra, comecei a usar tênis, parei de me sujar, parei de suar, parei de ser o Ronaldinho Gaúcho no futebol, parei, parei, parei, parei. Deram lugar a encontros com a molecada para, claro, jogar, mais e mais. 

Jogar e ser o jogo. O jogo do crescimento. Assim eu cresci, também, pelo computador. E pude acompanhar, infelizmente, o não crescimento de muitos bebês. Hoje temos crianças sendo adultas na internet. E, como adultos na internet, vão para realidade se sentindo formados. Prepara um miojo enquanto posta no instagram, claro. 

Cadê a infância? Cadê? Procuro no escuro e não encontro. Não deveria pensar sobre isso, como disse acima, pouco me importa, mas é que, na realidade, me importo sim. Me importo tanto que chega a doer. Não sei o porquê. As pessoas estão bem, estão felizes mas eu paro e me sinto angustiado por elas. O que eu faço então? Chamo o Tyler Durden? O meu cão raivoso? O quê?

Isso aqui que eu olho todos os dias é uma ilusão. O que eu vejo é só meu. Há algumas coisas que se tornam tão sinceras aos teus olhos que você toca o outro e pergunta "você tá vendo aquilo?" e ele responde que... não. Não enxerga. Mas deveria. Caso contrário me sentiria muito sozinho, como me sinto hoje.

Internet nos fez procurar estar próximo, mesmo estando longe. Paramos de olhar para exercitar os dedos. Temos milhares de contatos e nenhum ao mesmo tempo. Temos o poder de criar manifestações rapidamente, mas não temos a coragem dos nossos vovôs que, da terra, retiravam toda a sua força. Como disse, a terra se tornou só terra.

Internet é o jogo dos sete erros, um lado está a pessoa real e o outro a que ela se apresenta no seu perfil. Sempre sorrindo em baladas. Saia. bebidas. Belas roupas e maquiagem. Sim, você, menininha do facebook, está toda maquiada de mentira. Mentira de estar bem, de ter sido criança. Tira foto no espelho e nem ao menos entende o que a sua imagem representa para homens que, assim como você, possuem um bicho dentro de... então.

Somos reis e rainhas. No meu caso, sou um bobo da corte.

Com meus pés no ar e minha cabeça no chão eu diria que "Clube da Luta" é um filme sobre luta. Exatamente. Emerson vs Emerson. João vs João e assim por diante. Alguns se sentem presos outros fingem não perceber. A vida é assim, viramos a cara para a verdade.

Há tantas coisas para se pensar, tantas formas de dizer, mas eu não estou escrevendo sobre o filme, não estou falando do Brad Pitt ou David Fincher, estou falando de mim. De você. De nós. Um grande desabafo de um desabafo que anda. Que hoje escreve e as mensagens chega até você, o qual não conheço, e se divide. Mesmo que você já tenha fechado essa janela porque achou o texto mal escrito, ou algo do tipo. Enfim, não quero te agradar, eu quero me agradar e, nesse exato momento, não estou contente com o que escrevi. Então vou parar. Sem fim. 

Só digo uma coisa, até a próxima. E que ninguém se mexa, pois meu cérebro caiu. Foda-se.


quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

#05- Assisti na Semana ( Maratona de filmes )



Essa semana aproveitei para fazer uma maratona de filmes ( talvez a última que eu faça no ano, pelo menos tão frenético assim ) e, em três dias, assisti 20 filmes. Sem contar os outros dias. Enfim, junto a isso eu consegui os torrents de filmes que estava esperando dos principais filmes cogitados para o Oscar 2014.

Mas também aproveitei para assistir alguns clássicos interessantes. Uma ferramenta interessante do Filmow é a criação de listas. Vou colocar todos os filmes que eu ver no ano de 2014 ( aqui ) como fiz em 2013 ( aqui ). Esses filmes anotados são os que eu vi pela primeira vez/ vi há muito tempo e nem me lembrava. Ou seja, claro, tem muitos filmes que eu assisto umas 10 vezes ao ano e não anoto.

Vou fazer pequenas observações de alguns filmes que assisti na minha maratona:


Talvez um dos mais insanos do Takashi Miike. Falar do entendimento dele é um tanto quanto bizarro ( igual ao próprio filme ). Terminei de assistir, não me chocou, pelo contrário, eu amei a história dessa família. Tantos filmes que falam sobre a família e a situação dos jovens, o que acontece em Visitor Q é a mesma coisa. Mas, claro, a violência e o sexo são elementos para compor isso. Causando estranhamento e deve causar mesmo. O leite materno me deixou perplexo, a necrofilia, o incesto, o filho que bate na mãe e apanha na rua. Enfim, todas bizarrices nos mostra a fragilidade daquela família, sua desestrutura, e a própria realidade do mundo. Onde o sexo, droga e violência se revela como um desabafo dos jovens para com seus pais. 

O fato é que antes de assistir não tinha lido sinopse, não sabia nada. Fiz uma interpretação e depois procurei outras interpretações. Todas muito interessantes. É um filme sinistro.

Nota: 3/5 

Ata-me! ( 1990 )

Não sei por qual motivo ainda não tinha visto esse filme. Que delicia! Antonio Banderas é o cara, tem uma coisa no olhar dele que casa perfeitamente com o Almodóvar. Átame é uma homenagem ao filme "Bilbo", um dos primeiros do Bigas Luna.  
A naturalidade que cerca aquela situação nada normal é apaixonante. Estar preso e amando estar, o sequestrador chorando como criança por não ter o amor da moça. Enfim, ele foi fazendo, tomando atitudes mas nunca parou pra pensar nas consequências. Pelo simples fato de não ter. Com Almodóvar a donzela se apaixona simplesmente por não ter medo. Por ser viciada em sexo e ter encontrado na loucura a sua maior amiga. Viva a loucura! 

"Lucidez é um acesso de loucura ao contrário"

Nota: 5/5

A Passagem ( 2005 )

Não sei por qual motivo, mas desde que vi imagens desse filme eu quis assistir e sabia que era bom. Estava pesquisando pelos trabalhos do Ryan Gosling ( um dos melhores atores da sua geração ) e me surpreendi quando encontrei dois tesouros, esse "A Passagem" e "Tolerância Zero". A Passagem é uma homenagem clara ao David Lynch mas isso não tira o fato de ser bom. Não o vejo como inovador, a ideia principal já foi usada outras vezes ( me lembro de poucos ) mas tudo se encaixa perfeitamente. Não paramos de assistir por estar monótono ou difícil de entender, pelo contrário, há alguns detalhes mínimos que são bacanas de se notar.

Para quem já assistiu: O personagem do Ryan Gosling está imaginando toda uma vida, usando todos os elementos que estão a sua volta em um acidente de carro, certo? O Dr. Sam ( Ewan Mcgregor ) está abaixado o ajudando o rapaz junto com a Lila ( personagem da Naomi Watts ), certo? Pois bem, agora assista de novo e veja que as calças do doutor são curtas o filme todo. Eu não entendia o porquê disso. E me achei um gênio ao fisgar isso ( ^__^ ) 

Outra coisa são as vozes que, no primeiro encontro com o psicólogo, o rapaz menciona ouvir. Essas vozes são as pessoas ao redor do carro, no acidente. Assim como a menina que ele era apaixonado, que trabalhava na lanchonete, pode muito bem representar a Naomi Watts, a qual ele pede em casamento. Nossa, que cena é essa. Emocionante. Um pedido de casamento pelo simples fato de faze-lo enquanto é tempo. 

Nota: 4/5

Tolerância Zero ( 2001 )

Protagonizado por Ryan Gosling, esse tesouro passa por um tema muito explorado - quase todo ano tem um filme que fala sobre a questão, direta ou indiretamente - mas tem dois pontos que o fazem destacar: Atuação e um personagem bem desenvolvido.

Muito parecido com "A Outra História Americana", Tolerância Zero nos apresenta um jovem que estudava em uma escola judaica e, com o passar do tempo, começa a odiar tudo isso e se torna um anti-semita. Então, no desenrolar temos esse drama do personagem, em tentar passar por cima do seu passado no mesmo tempo que sempre retorna a ele, nem que seja na sua própria fúria. Muito interessante o desfecho dessa história.

Nota: 3/5

Bilbao ( 1978 )

Eu, fã do Bigas Luna, estava procurando esse filme há muito tempo. A história chamou minha atenção. Um homem começa a desenvolver uma paixão/obsessão por uma prostituta, ao ponto de seguir seus passos e sequestra-la. Bem, é isso. Bilbao é bem experimental, dá para ver elementos que viriam a fazer parte do trabalho do diretor, não só no ótimo "Jamón, Jamón" como no "Os Olhos da Cidade São Meus", tem um clima meio claustrofóbico. Enfim, vale pela experiencia mesmo. Achei um pouco cansativo.

Nota: 3/5

Robotrix ( 1991 )

Filme chinês com muitos peitos, mulheres lutando, "robôs", história credita, enfim. Altas diversões. Uma policial morre e, para combater um senhor malvado que se transformou em um robô fodão, cientistas gostosas a transformam em um robô também. Com super força, velocidade e fome por sexo. Claro, porque robôs também tem direito de sentir prazer em seus parafusos. Diversão garantida. Assistam essa pérola do cinema chinês que, inclusive, foi muito censurado em seu lançamento.

Nota: 3/5 


Filme doce sobre a amizade, namoro, paixão, amizade colorida, beijo, amasso, ter, não ter, querer, não poder querer etc. Tudo para ser clichê mas, alguns filmes, conseguem ser usar o clichê ao seu favor. Criando alguns elementos que sustentem a eventual mesmice no roteiro. Criar uma história de romance seja amizade ou não, sempre vai usar o que já tem, porque relacionamentos são iguais. O que difere são as pessoas as quais nos relacionamos. E são elas que muda tudo. O beijo muda, então é um elemento. O confiança muda, então é outro elemento. Enfim, a química dos protagonistas, a sinceridade dos acontecimentos, tudo faz com que seja diferente dos demais. O bom clichê. Celeste e Jesse são lindos, há momentos suaves e verdadeiros, como as brincadeiras que os dois fazem ou a preocupação de ambos. 

" Eu posso acreditar que eu vou ter um filho e não é com você"

Nota: 4/5

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Top 10 2013



Drinking Buddies
Frances Ha
Amor sem Pecado
Sharknado
Os Suspeitos
Azul é a Cor mais Quente
A Caça
Pelos Olhos de Maisie
Antes da Meia-Noite
O Mestre

Em 2013 consegui assistir 232 filmes. Muito abaixo dos últimos 5 anos, onde cheguei, inclusive, a bater a marca de 500. Essa lista é baseada no que eu vi, infelizmente não consegui ver Blue Jasmine do meu amor Woody Allen, por exemplo. Citaria como consideração os filmes: O Sistema ( Zal Batmanglij ), O Lugar Onde Tudo Termina ( Derek Cianfrance ), Guerra Mundial Z ( Marc Foster ), Thongsook 13 ( Taweewat Wantha ), Invocação do Mal ( James Wan ), Boven is het stil ( Nanouk Leopold ) e Don Jon ( Gordon-Levitt )

Uma carta ao cinema


O ano de 2013 foi inesquecível para mim. Foi o primeiro passo de uma vida perdida, em busca de um lugar para se manter em pé. No fim é sempre assim, procuramos o nosso lugar nenhum. Nada e tudo é os avanços que temos no ano. Claro, isso depende do ponto de vista de cada um, afinal, conquista é algo altamente individual. 

Eu conquistei muito. Tive a oportunidade de visitar o meu passado e descobrir melhor o porquê do cinema na minha vida, desde tão novo. Me descobri. Fui descoberto. Errei e erraram. Fui precoce.

Ouvi histórias de pessoas, pessoas invisíveis. Das quais, por um motivo especial, compartilharam seus corações para mim. Sinto que pude/posso ajudar de alguma forma. Isso faz de mim alguém com um objetivo. Me fez pensar que não preciso de um lugar para ser, posso ser em qualquer lugar. 

Cinema, viva o cinema ( leia-se vida ), mais um ano como teu amigo, homem, mulher, pai, filho, mãe, irmão. Meu querido tudo, somos um. Me ajudou em tempos difíceis, me criou no escuro das suas salas, me fez ser ator, me fez. Sinto-me filho do audiovisual. Sinto-me audiovisual. Sinto-me assistido. 

Esse ano criei esse humilde blog. Com a inocente ideia de compartilhar o cinema que eu amo. Sinto que consegui, de uma for ou de outra. Ainda procuro outras formas, mas acredito que comecei bem, afinal, recebi e-mails bem emocionantes de pessoas que me leram e gostaram/ se identificaram de alguma forma. Gente, eu não escrevo, sussurro no ouvido.  Nunca quis escrever sobre cinema, o que faço é só o que faço: desabafar. Seja sobre a vida, sexo, pessoas, amor etc.

Sinta-se próximo. Mesmo estando longe.

Esse ano participei, também, de alguns podcasts. Em especial do Masmorracast, Cinecast e Noidecast ( do meu querido amigo Rafael Tanaka, o cara que conheci esse ano e passei muitas horas conversando com ele, sobre tudo ). Muito obrigado a todos vocês, sério mesmo.

Conheci gente boa como o José Bruno Ap Silva, do blog Sublime Irrealidade, que me faz muito bem em ler seus textos. Sempre muito inteligentes. O pessoal do Podtrash, que me faz rir muito/ pesquisar por porcarias inacreditáveis. Beijo especial para os irmãos Douglas e Bruno Gunter, que tive oportunidade de conversar em podcasts. 

Enfim, muito obrigado à todos, citados ou não. E feliz ano novo.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Don Jon ( 2013 )

 

O nosso silêncio fala muito. O mais engraçado de se pensar é que há uma diferença gritante entre o silêncio da mulher e do homem. A mulher espera, mesmo que não perceba, um príncipe encantado, por isso julga - em silêncio - as pequenas atitudes e, essas pequenas atitudes, podem tira-lo da ilusão da perfeição. Então, o príncipe se torna um sapo.

O silêncio do homem é, na maioria dos casos, relacionado ao visual. Uma mulher bonita enche nossos olhos de alegria e serve como inspiração por um tempo. Inspiração, eu digo, no sentido de comparação. Mas, após a perda inevitável, diante desse pensamento inicial, passamos a dar valor à um sorriso.

O que quero dizer é: Tanto o homem quanto a mulher começam procurando coisas muito diferentes. Por essa e outra razão, quase sempre um relacionamento só dá certo quando duas pessoas se encontram no meio das suas vidas. O que não necessariamente está relacionado a idade.


Don Jon é um filme especial. Em um mundo onde a "pornografia é para homens e comédias românticas são para mulheres" eis que surge um filme - dirigido por um cara que já nos presenteou com um outro ótimo filme de comédia romântica - desse gênero e que, ainda por cima, fala sobre o pornô.

O que é pornô?

Pornô é, hoje, pequenos vídeos espalhados pela internet, onde temos pessoas de diferentes culturas e físicos brincando de fazer sexo das mais inimagináveis formas possíveis. Outros seres humanos assistem esses vídeos. E, tem aqueles, principalmente jovens, que acreditam que o sexo é rápido, frio e individual. Assim como os tais vídeos citados.

Ou seja, há mais do que nunca homens olhando para o próprio pinto do que para o corpo da parceira. É estranho. É duvidoso. Mas real. 

Quantos de vocês conhecem pequenos aprendizes de homens que vão a academia para ficar bombado? Aqueles que pensam unicamente em tomar uma dose mágica de ilusão para ficarem com o corpo perfeito. E, depois, se não bastasse, expõe sua mais perfeita obra na net para inspirar novos aspirantes a homens.

Esses, hoje, são conhecidos como príncipes. Amanhã serão bexigas muxas. E qual foi o grande culpado disso? Acho que uma das maiores é a sociedade.


A Sociedade

A sociedade te cobra nascer. Te cobra estudo. Te cobra trabalho. Te cobra beleza. Te cobra namoro. Te cobra casamento. Te cobra filho. Te cobra netos. Te cobra a inutilidade. Te cobra a morte. Te cobra o esquecimento. 

Focarei, nesse texto, em três cobranças: Beleza, namoro e casamento.

Voltando ao filme...

Nesse ponto do texto você já percebeu que a tradução "Como não Perder Essa Mulher" é um dos mais ridículos possíveis. "Don Jon" não é uma comédia romântica. É um pornô. Ops, não, é uma comédia romântica mesmo, mas muito diferente.

Ele começa falando sobre a sua admiração por pornografia, sua facilidade em conquistar as mulheres, sua vida tranquila e seus pequenos prazeres - como limpar a casa, o que mais para frente desencadeará uma cena muito boa - e, misturados com cortes rápidos, somos obrigados a ver o seu dia a dia, com muita masturbação, mulher e balada. De primeira temos uma identificação muito grande com o personagem. Pelo simples fato de sermos homens. E homem assistem vídeos com frequência, se masturbam muito e pensam em mulher por boa parte do dia. 


A mulher assistindo "Don Jon"

Eu sou um admirador da mulher. Adoro diretores que dedicam todo seu trabalho para explorar o universo feminino, como a sua coragem, maturidade e amor. Dentre eles, cito dois mestres: Almodóvar e Woody Allen. Adoro um filme de mulherzinha. Inclusive tenho "Diário de uma Paixão" que já chorei inúmeras vezes assistindo. Sim, sou uma mulher. Assim como sou um homem também. Mas meu lado masculino pede licença as queridas mulheres que leem meu texto, pois raramente teremos novamente um filme tão mulher só para nós. 

Damas, com todo o respeito. Até a próxima. 

Voltando ao filme... parte 2

É então que, na balada, acontece um milagre. A Scarlett Johansson aparece. Envolta de um brilho evidente. O protagonista, inicialmente, quer levá-la para a cama. Mas acaba percebendo que ela é difícil e terá que haver algo mais entre os dois. Mas ela é mimada. Tira a possibilidade dele ser ele. E isso ninguém aguenta. 

Para aumentar ainda mais os problemas, ela descobre os vídeos pornôs e encara isso como uma traição. Usando como justificativa frases como "você é igual a todos", "isso é nojento". A menina, aprendiz de mulher, queria um príncipe, e percebeu que ele não existia, pelo menos não ali.


Entra em cena minha querida Julianne Moore, tenho que dizer que eu não sabia que ela estava no filme e fiquei muito feliz em ver ela, fiquei gritando de felicidade na minha mente, ela faz a mulher madura, que está cheia de perdas e quer justamente um homem que seja individual. Individual no sexo mas principalmente no gostar. 

Ela o ajuda, pois é isso que fazemos. Ajudamos as pessoas a se encontrarem, seja qual for o motivo de estar perdido. O sexo é mais uma justificativa que o ser humano tem para se sentir superior. O sexo virou uma medalha. O sexo se tornou uma cobrança da sociedade. O sexo virou só sexo.

Filmes pornôs transformam mulheres em maquinas de prazer. E homens em possuidores de um pau intimidador. Eu adoro assistir vídeos pornôs. Mas não os tenho como uma meta. Assim como cuido da minha saúde, mas não vejo o meu corpo como a única coisa que faria alguém gostar de mim. 


Enfim, há mais coisas do que o sexo. Tem uma coisa esquecida chamada amor. Não é clichê. Quer dizer, é clichê, mas a ideia central desse texto é falar sobre uma comédia romântica, então ser clichê é uma obrigação, mesmo que o próprio filme não o seja.

"Don Jon" começa com o homem e termina com o homem. E é interessante perceber a diferença entre os dois pontos. Diferença da visão dele sobre a mulher e sobre ele mesmo, enfim, nosso herói encontra o seu meio. 

Joseph Gordon Levitt e todo o seu carisma, meus parabéns. 

- Escrito por Emerson Teixeira Lima

Um aprendiz de ser humano que, no momento em que escrevia esse humilde texto, abria o X Vídeos. Emerson vive e usa o cinema como fonte de inspiração para o próximo dia. Faz do audiovisual o teu protetor para o medo recorrente de apenas existir. Emerson acha a Scarlett Johansson extremamente gostosa, assim como a Asa Akira. E acredita fielmente que sexo filmado também é arte.

sábado, 30 de novembro de 2013

Slugs, Muerte Viscosa ( 1988 )


Lesma morde?

Já assisti muitos filmes ruins. Todo mundo sabe a diferença entre filme ruim e trash não é? Trash, eu diria, é o ruim inexplicável. Aquele que você joga a toalha e fala: "Puta que pariu, explodiu meu cérebro com tanta porcaria. Mas tá divertido, vamos lá"

Sendo assim já assisti, também, muitos filmes trashs, principalmente aqueles toscos que passavam na tv. Seja na Band ou no SBT com bichos assassinos. Formiga, abelha, jacaré, baleia, elefante. sapo, borboleta... tudo assassino. O mundo animal tava complicado nos anos 70 e 80. Mas, eis que existe uma pérola que, pasmem, conta a terrível história de LESMAS do mal. 

Dirigido pelo "mestre" Juan Piquer Simón de outros filmes ruins como "Mansão Macabra" e "O Mistério da Ilha dos Monstros", Muerte Viscosa conta a história de uma pequena cidade que está sendo aterrorizada ( ui ) com vários casos de mortes, sendo que os corpos das vítimas são encontrados totalmente descarnados. Após altas confusões, descobrem que as responsáveis pelas mortes são lesmas mutantes. 

Para começar, antes que vocês imaginem outra coisa, as lesmas não são gigantes. É tamanho natural e, além do mais, não correm, nem voam. É isso mesmo. Uma lesma, pequenina, rastejante e lerda causa pavor nos moradores da cidade. E, claro, nós ( sofredores ) espectadores ficamos extremamente tensos com as ótimas cenas de terror, que choca muito, pelo fator chave da identificação. Afinal, quem nunca deixou uma lesma, sem querer, na salada? Quem nunca colocou uma luva e, do nada, não conseguia tirar mais porque tinha uma lesma mordendo o seu dedo? Enfim, coisas do cotidiano.


Palmas para coragem de quem pensou nessa história. E pela coragem de quem levou isso adiante. Realmente não é fácil. Eu imaginei armas de sal, ou algo assim. Pena que não rolou. No fundo, eu torcia para as lesmas, coitadas. A grande verdade é que o filme não fala sobre lesma, ele fala sobre burrice. Todas as mortes foram causadas pelos próprios seres humanos. Por exemplo, a mulher, ao cortar a salada. Será mesmo que ela não viu a lesma? Não é possível. Para mim, o pobre bichinho foi sacrificado para a morte do marido. Por que só ele passa mal!? O filme deixa essa questão aberta. 

Hááá! Pera que vou cortar meu braço. Tô aguentando mais. Ui.

Limpe bem o alface. Sua cidade agradece. 

E, claro, nunca confie na salada da sua mulher.

Enfim, depois de assistir esse filme, você conhecerá um pouco mais sobre lesmas, burrice e incredulidade. É uma viagem filosófica através de uma impossibilidade idiota e extremamente divertida. Tenham medo! O_O

Obs: Se a minha mãe assistisse esse filme, ela teria sérios problemas de saúde depois. Visto que ela tem uma fobia muito grande de bichos rastejantes e nojentos. Beijo mãe. Lembrei da senhora com esse filme. 

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Mil e uma filosofias




Eu sempre achei que filosofia de vida fosse o mesmo que ideologia, acreditava que ter uma filosofia para viver já era uma ideia adotada que nós criamos para atender nossas necessidades e frustrações intelectuais, fui atrás de saber disso e pesquisando descobri que estava completamente enganado. Realmente filosofia de vida é uma realidade que adotamos para viver, ideologia vem a ser um ideal, conjunto de ideias de um grupo, uma visão social e até política. Ela pode ser comunista, fascista, republicana, democrática e por aí vai. Mas não vou discutir sobre isso no momento.


Desse conjunto me veio a conclusão que apesar de vivermos uma ideologia, cada um tem sua própria filosofia, com certeza já ouvimos conselhos de como devemos levar nossas vidas e o que é melhor para nós, conforme vamos envelhecendo vamos recebendo esses conselhos e percebemos que nem todos são compatíveis com nossa realidade. Enquanto a idade vem a maturidade vem junto, às vezes mais cedo para alguns e às vezes mais tarde para outros. Algumas pessoas que sofreram tendem a adquirir mais cedo essa maturidade e a superar mais rápidos alguns obstáculos, mas também tendem a ser um pouco arrogantes e precipitadas em suas atitudes por acharem que já possuem conhecimento vasto da vida e com isso todas as suas atitudes são justificadas, sem ao menos analisar as consequências delas. Enquanto vamos amadurecendo, chegamos em um ponto em que acreditamos que não há mais nada que possamos aprender da vida até que o inexorável destino chega e dá um tapa de realidade na nossa cara. Tem coisas que aprendemos inconscientemente, mas também tem as vezes que tomamos a plena  consciência que acabamos de aprender algo, eu, por exemplo, aprendi a pouco tempo que não vale a pena discutir e perder seu tempo ao brigar se pelo o que está brigando vale realmente alguma coisa no final mesmo que você “ganhe”. Essa filosofia é válida para mim, não quer dizer que seja boa para você, precisa avaliar bem muita coisa antes de tomar filosofias para si além de criar as suas.

Toda essa discussão sobre maturidade é para chegar ao ponto de dizer que com ela que aprendemos a criar nossa própria filosofia de vida, aquilo que nos abrange, que nos é compatível, aquilo que é verdadeiro para nós, com base no que o outros dizem, com base no que você aprende da vida, preencher sua filosofia com coisas novas e com pedaços de mil e uma outras filosofias, mas é claro, essa filosofia de vida pode não ser útil para você por que somente você sabe a melhor filosofia para viver.

Texto de Sandro Macena



segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Encarando um filme monótono


É difícil explicar porque gosto de filmes alternativos, underground, etc, os nomes são variados para esses tipos de filmes que não são vistos no grande circuito, esses filmes  mostram um sentimento diferente, mais puro, até mais realista que os blockbusters,uma vez um amigo disse que filme alternativo tem sempre partes monótonas, depois que ele disse isso comecei a reparar, realmente muitos filmes tem partes monótonas mais longas que os que filmes blockbusters, mas acredito que isso tenha uma motivo. Filmes alternativos, vou passar a chamar assim esse filmes, tem a sensibilidade representa a vida como ela tende a ser, e não como ela é, e a vida não é em todo momento um parque de diversões, vivemos momentos monótonos, como esse agora que estou escrevendo esse texto, não entenda algo monótono como chato, entenda como aquele momento que você vaga em seus próprios pensamentos, a maior dificuldade de apresentar um filme alternativo quem não tem costume de assistir é fazer essas pessoas abrirem suas mentes, é identificar a beleza e as sutilezas desses filmes, encarar o sentimentalismo, racionalizar o ambiente, compreender a psicose que o autor precisar passar na tela, a comédia sutil, o drama vivo e o detalhe abandonado.



Em filme alternativo não existe final feliz, as pessoas não são simpáticas, é uma linha reta, não tem tensão, não tem clímax, tem aquilo que você vê e precisa acompanhar, aleatoriedade é uma constante comum, não se usa fórmula de sucesso para fazer sucesso, o sucesso vem de boca a boca, fóruns com pessoas que tem vontade de encontrar raridades, tem ambição em conhecer novas culturas, ver o que aquela cultura tem a mostrar, todos sabemos que condenamos a outra cultura com base na nossa, com filmes do Afeganistão vi como tinha pouco conhecimento sobre essa belíssima cultura, julgava, condenava, mas de fato fui apresentado a coisas que desaprovo, mas também fui apanhado pela normalidade da vida que os atores dão ao personagem. Outro ponto importante nesses e estar disposto a entender que existem pessoas diferentes no mundo, nós temos a chance de encarar isso com naturalidade, infelizmente outros não.


Fico muito feliz em ter me liberto da garras da ignorância, do desconhecimento, a habilidade encarar o novo sem restrições, entender diferenças, pensamentos diferentes, isso me fez conhecer pessoas inimagináveis, inteligentes e sonhadoras. Não agradeço isso aos filmes alternativos, mas com certeza teve bastante influência.

Texto escrito por Sandro Macena


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