Anneliese Michel
Anneliese nasceu em 21 de setembro de 1952 em uma pequena cidade da Alemanha. Até hoje sua história é um pontapé inicial para a discussão sobre até onde vai o conhecimento da ciência e religião e qual é o mais adequado em determinados momentos de sua vida.
Não pretendo me aprofundar no seu caso – até porque o meu ceticismo poderia comprometer a experiência de alguém com os filmes – mas queria levantar alguns dados importantes:
Como disse, anneliese nasceu em uma cidade pequena e seus pais eram muito religiosos, sendo assim, ela foi criada em base a doutrina católica. Com o passar do tempo, aos dezesseis anos, Anneliese sofreu uma grave convulsão e foi diagnosticada com epilepsia. Logo ela começou a ter visões, ouvir vozes dizendo que ela queimaria do inferno e rejeitar qualquer lugar ou objetos sagrados como água benta, crucifixos, igrejas… Ou seja, seu caso foi se agravando cada vez mais.
Depois de ser admitida em um hospital psiquiátrico a sua saúde não melhorou e, aos poucos, ela foi recorrendo à religião alegando que estava possuída e precisava ser exorcizada.
No fim, depois de passar por mais de 50 sessões de exorcismos e chegar ao ponto máximo de degradação, ela morreu por desnutrição e dizem que se ela continuasse com os tratamentos ainda estaria viva.
As perguntas são: Existe algo além do que a ciência pode compreender? Os problemas pelo qual ela passava eram distúrbios mentais ou possessão? Como distinguir o que são os distúrbios e o que é possessão?
Com base nessa discussão – que não necessariamente existe um fim – foi realizado dois filmes sobre o mesmo caso. Um se chama “O Exorcismo de Emily Rose” filme norte-americano de 2005 e o outro da Alemanha feito em 2006 chamado “Réquiem”.
O Exorcismo de Emily Rose
Criar um eficiente filme de terror não é tão simples como muitos imaginam. Claro, se assistimos a um filme de fantasmas esperamos pelos sustos, mas não é só os efeitos sonoros e aparições repentinas que sustentam a cena, poucos dão importância para o que é realmente importante e eu simplificaria aqui como: Atmosfera
‘O Exorcismo de Emily Rose” é um filme que quer assustar – deixa isso claro desde a primeira cena – mas isso não quer dizer que não traga alguns temas interessantes e discutíveis.
O filme começa nos mostrando a casa de Emily Rose, um ambiente isolado, cinzento e tenebroso, mais tarde veremos uma infestação de gatos que completará o visual depressivo do qual ela viveu seus últimos momentos.
Com o desenvolver da história, somos apresentados a um filme de tribunal, pois depois que Emily morreu o padre Moore, interpretado brilhantemente pelo Tom Wikinson – em todos os momentos o padre se mostra apreensivo, como se estivesse atormentado constantemente por visões macabras – é o suspeito da sua morte. Então a discussão começa e o filme se propõe a falar um pouco sobre os medicamentos e os problemas psicológicos de Emily e como teria sido sua vida se tivesse continuado e do outro lado, muito melhor explorado, o padre e a sua justificação do o porquê fez o exorcismo e querendo mostrar a todos a verdade sobre a história de Emily Rose.
Enfim, como escrevi, apesar de ter um leque de questionamentos possíveis sobre esses dois caminhos ( Doença mental e possessão ) o filme se preocupa em apenas um, não chega a ser um problema, acaba por se tornar uma limitação no roteiro, vendo que nas várias cenas intercaladas com o julgamento em que é mostrada a Emily e seus distúrbios o filme se prepara para provocar medo, e ao meu ver se sai muito bem, mas não há uma cena em que ela procure ajuda médica, por exemplo.
Como filme de terror que quer provocar medo e tem pequenas brechas de conteúdo reflexivo eu acredito que este ‘O Exorcismo de Emily Rose” seja ideal. As cores dos ambientes, figurinos, interpretações do já citado Tom Wikinson e as duas mulheres em destaque Laura Linney como a advogada do padre se envolvendo da trama do misticismo e colocando o seu ceticismo a prova e, claro, Jennifer Carpenter fazendo uma Emily Rose e seus “demônios internos” causarem pavor no público.
Requiem
Requiem é um filme Alemão de 2006, desconhecido por muitos e que trata sobre o mesmo caso verídico que inspirou o filme do ano anterior “O Exorcismo de Emily Rose”. Primeiro, esse não é um filme de terror, muito pelo contrário, ele se aproxima do drama.
Vamos por partes, o filme fala sobre a mesma garota – aqui com o nome diferente, atriz diferente, visual diferente, ou seja, esqueçam o filme norte-americano – só que a diferença é que acompanhamos a menina que sofre de epilepsia e tem problemas com a família e com o passar do tempo, influenciada pela sua falta de informação ( o filme se passa nos anos 70 ) e suas crenças, ela atribui as suas crises à demônios e sugere uma recuperação a base da religião.
O filme começa com a informação de que ela vai para uma universidade fora do seu vilarejo, morar sozinha, e já temos o conhecimento (não a causa) do seu péssimo relacionamento com a mãe, sendo que está é a mais contida com a informação e não se empolga com a evolução da filha.
Sem apelar em nenhum momento, o filme me parece um estudo interessante sobre o ser e o quanto somos inerentes a nossa criação e o que acreditamos. Visto que a mente humana nos direciona para aquilo o que aprendemos ao longo da vida, dificultando assim, atribuir certas coisas a problemas conhecidos pelo homem, ou algo além disso. O engraçado é que a resposta acaba sendo a própria pergunta, não sou um conhecedor de psicologia, mas tomo aqui a liberdade de expressar a minha opinião ou pergunta (dependendo do ponto de vista) que conseqüentemente resumirá todo esse assunto: Será que uma pessoa sem contato, descrente ou indiferente com a religião e seus demônios teria, em suas crises, algum tipo de ligação com possessão demoníaca? ou recorreria – se entregaria – a tratamentos médicos?
Não descarto as possibilidades de que algo além do que meus olhos podem ver possam existir. O fato é que nossa mente é uma das coisas mais complexas e real que existe. Se há histórias como a de Anneliese Michel é para lembrarmos disso.


