Lou é uma menina “superdotada” e solitária de treze anos
que, por meio de uma entrevista para um trabalho de escola, conhece No, uma
jovem moradora de rua. Cria-se, aos poucos, uma forte amizade entre as duas e
juntas buscarão uma forma de lidar com a solidão.
O primeiro ponto forte do filme francês dirigido e estrelado
pela ótima Zabou Breitman é não se
preocupar em ficar mostrando o quão a pequena e adorável Lou é uma menina
triste e inteligente. Não precisa de palavras! Por isso temos, ao longo, muitas
cenas que representam a confusão/personalidade da garota. Como a brincadeira
dela de andar em linha na calçada ou os devaneios no ônibus com a cabeça
encostada na janela.
Como extensão do primeiro ponto, temos um casamento perfeito
entre a proposta e performance da atriz principal. Nina Rodriguez com seu rostinho delicado constrói uma personagem
que é o oposto da sua nova amiga, Nora ( “No” como gosta de ser chamada ).
Fica evidente a evolução das duas meninas. No, por exemplo,
é instável, melancólica e rebelde, mas, pouco a pouco, vai aderindo a prudência
da amiga – Isso se comprova, inclusive, mais ou menos na metade do filme, quando as duas brincam de andar em linha juntas.
O filme fala sobre solidão, e a maneira que a trama amadurece
é impressionante. Nada se resolve, tudo se resolve. Aliás, as duas tiram uma da
outra exatamente aquilo que precisam e, nesse pensamento, é muito importante o
papel da mãe na história. Visto que ela sim é eterna e estará sempre lá,
acompanhando o processo de uma pré-adolescente que, como todas, só quer
crescer.





