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domingo, 7 de abril de 2013

No et Moi ( No e Eu )


Lou é uma menina “superdotada” e solitária de treze anos que, por meio de uma entrevista para um trabalho de escola, conhece No, uma jovem moradora de rua. Cria-se, aos poucos, uma forte amizade entre as duas e juntas buscarão uma forma de lidar com a solidão.

O primeiro ponto forte do filme francês dirigido e estrelado pela ótima Zabou Breitman é não se preocupar em ficar mostrando o quão a pequena e adorável Lou é uma menina triste e inteligente. Não precisa de palavras! Por isso temos, ao longo, muitas cenas que representam a confusão/personalidade da garota. Como a brincadeira dela de andar em linha na calçada ou os devaneios no ônibus com a cabeça encostada na janela. 


Como extensão do primeiro ponto, temos um casamento perfeito entre a proposta e performance da atriz principal. Nina Rodriguez com seu rostinho delicado constrói uma personagem que é o oposto da sua nova amiga, Nora ( “No” como gosta de ser chamada ).

Fica evidente a evolução das duas meninas. No, por exemplo, é instável, melancólica e rebelde, mas, pouco a pouco, vai aderindo a prudência da amiga – Isso se comprova, inclusive, mais ou menos na metade do filme, quando as duas brincam de andar em linha juntas.


O filme fala sobre solidão, e a maneira que a trama amadurece é impressionante. Nada se resolve, tudo se resolve. Aliás, as duas tiram uma da outra exatamente aquilo que precisam e, nesse pensamento, é muito importante o papel da mãe na história. Visto que ela sim é eterna e estará sempre lá, acompanhando o processo de uma pré-adolescente que, como todas, só quer crescer. 

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O Show de Truman



- Nada foi real?
- Você era real. Por isso as pessoas gostam de assisti-lo.

Ganhador de 3 globos de ouros: melhor ator: Jim Carrey, melhor ator coadjuvante: Ed Harris e melhor trilha sonora original. Além de ter sido indicado a melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro.
O Show de Truman conta a história de Truman Burbank, um bebê que foi adotado por uma corporação. O Motivo? O garoto é a peça principal de um novo Reality Show do qual um homem ( no caso Truman ) é monitorado 24 horas por dia. O Reality vira um sucesso incontrolável e Truman é amado por todos porém, leva uma vida rodeada de mentiras.
O diretor Peter Weir dirigiu grandes filmes como Sociedade dos Poetas Mortos e A Testemunha. Em O Show de Truman ele chega ao seu ápice, conseguindo unir o divertimento, simbolismo e crítica de uma forma perfeita, devido, principalmente, ao carisma de um excepcional Jim Carrey e o enigmático Ed Harris.

Ao longo do filme é discutido a importância da existência de Truman ( leia-se “ser-humano” ), um homem que trás a diversão e inspiração para o mundo mas no seu interior nunca foi completo pois, faltava verdades, um objetivo, vemos isso em uma cena maravilhosa entre Truman e seu amigo ( Noah Emmerich ) no qual o nosso herói, exuberante, cita a sua vontade de ir além, para as ilhas Fiji. Cena essa que eu tenho um carinho enorme e acredito que seja a mais importante de todos os 103 minutos de filme.
Hoje em dia os Reality Shows se tornaram baixos e sem propósitos significativos, mas seu objetivo sempre foi nos mostrar vidas, pessoas e seu dia-a-dia, nos identificamos com os desentendimentos, choros, angústias e felicidade pois, de fato, possuímos o nosso próprio programa de tv, aquele que os expectadores é a nossa família, amores e amigos. Não vejo O Show de Truman como uma crítica aos Realitys apenas, ele utiliza, de uma forma brilhante, um formato popular e identificável, para fazer uma ligação entre cinema, vida e aceitação.
Um roteiro simplesmente perfeito de Andrew Niccol que se dedica em nos mostrar o desespero/ânsia por liberdade, ousadia e superação. Fazendo com que Truman seja um herói, tanto dos espectadores do Reality Show como os que assistem a esse, que eu considero um dos melhores filmes da década de 90.

“Aceitamos a realidade do mundo no qual estamos presentes”

Para Sempre Lilya


Ao som de Mein Herz Brennt  ( Meu Coração Queima ) da banda alemã Rammstein, temos o primeiro contato com a personagem Lilya. Ela está correndo – aparentemente sem rumo – e a única coisa que sentimos, e sabemos que acontece ali, é desespero. A menina está a beira de um suicídio, e , se observarmos a música que acompanha aquela terrível situação, vemos que não haveria uma melhor forma de expressar todo sentimento que temos nessa cena.

O Filme é dirigido pelo diretor Sueco Lukas Moodysson, que fez filmes incríveis e conceituadas como: “Amigas de Colégio” – que até hoje é louvado por muito Suecos, “Um Vazio no Meu Coração” e, o mais recente, “Corações em Conflito”.
“Para Sempre Lilya” conta a história de uma jovem de 16 anos, interpretada pela carismática e linda Oksana Akinshina, que quando abandonada pela mãe em um subúrbio da antiga União Soviética, recorre a prostituição para sobreviver. Exposta aos problemas diários, a única pessoa que lhe faz companhia é seu amigo Volodya um garoto de 11 anos.
Apesar de ser um filme muito triste, a esperança está presente em todo o filme, a vontade de que as coisas dêem certo mesmo sabendo que é extremamente difícil algo bom acontecer. O sentimento é acolhedor, pois, querer ajudar é o que mais passou pela minha cabeça, e sabendo que o abandono está presente na sociedade todos os dias, nos afasta da impressão de que a história de Lilya é ficção.
Eu sempre digo que o cinema é a melhor forma de conhecer pessoas e situações, poder estar ao lado dos personagens e sentir o que eles sentem, mas, de vez em quando, aparecem filmes que tem como intenção te dar um soco bem forte, para simplesmente, acordar.
Recomendo de coração a todos assistirem “Para sempre Lilya”, um dos filmes mais honestos que já assisti.


Perfect Blue


Mima, uma estrela pop integrante do grupo CHAM, decide trocar a carreira musical para se dedicar a atuação. Logo, consegue uma oportunidade em uma série de tv. Mas ao longo do tempo, ela adentra ao mundo da exposição tanto física como psicológica, resta-lhe então, lembranças dos seus dias inocentes.

A idéia inicial de Satoshi Kon ( diretor de Perfect Blue ) era realizar o filme em Live-Action, mas em 1995 sua verba foi cortada devido a um terremoto que destruiu o estúdio de gravação. Um desastre acabou ajudando a realização de um dos melhores filmes de animação já feita na história do cinema.
 Logo na primeira cena, vemos uma apresentação do grupo CHAM, é notado o sucesso considerável que as três adoráveis meninas estão fazendo. Esta cena inicial nos mostra algo crucial, Uchida, um fã incontestável do grupo, estende suas mãos dando-nos a impressão de uma certa manipulação de Mima, algo que ao desenrolar, comprovamos o tamanho da sua obsessão pela estrela e sua imagem.
Mima, ao se tornar uma atriz, se depara com um mundo de crueldade e ganância, algo que não esta preparada para lidar. A única pessoa que a ajuda é sua assistente Rumi que se torna seu único escape de realidade e cautela. Por muitas vezes, Rumi insiste na preservação de Mima, mais ela, está invadindo cada vez mais o mundo da exposição de imagem e doação na sua recente carreira de atriz. Chegando ao ponto de fazer ensaios fotográficos nua e se submeter a uma cena de estupro. Tudo isso misturado com belíssimas trilhas sonoras e relances do atual sucesso de seu antigo grupo musical, ou seja, o exibicionismo contra a inocência.
A introdução da vida e cabeça da personagem principal é, sem dúvida, o ponto forte do filme. É extremamente cuidadoso com os pensamentos, diálogos e pequenos nuances da personagem, que resulta em uma identificação ainda maior. Algo semelhante com os filmes do gênio Alfred Hitchcock que foi, com certeza, uma fonte de inspiração para a realização dessa obra-prima cinematográfica.
Somos levados ao limite quando Mima percebe o que está acontecendo e se da conta que existem pessoas querendo se apossar da sua vida. Caímos em uma rede de  conflitos internos junto com a personagem e chegamos ao ponto de não saber mais o que é a realidade.

“Mima – E se eu morri atropelada por aquele caminhão e tudo isso é um sonho?”

Temos um desfecho brilhante e inimaginável, onde a tensão aumenta a cada instante junto com a trilha sonora. Uma das maiores sequências da história do cinema.

Termino essa análise com uma frase de Mima:

- Eu sou real!


Uma Vida Nova em Folha


Acompanhamos a história de Jin-hee que é levada pelo pai a um orfanato de freiras, a menina não aceita o ambiente, pois acredita que seu pai irá buscá-la, e faz de tudo para não ser adotada.
 Uma Vida Nova em Folha é um filme da Coreia do Sul dirigido pela diretora Ounie Lecomte e protagonizado pela adorável Sae-ron Kim, atriz que certamente tem um futuro brilhante pela frente.
É lindo quando, sem querer, acabamos encontrando um ótimo filme. Eu não tinha a mínima idéia da existência dessa excelente obra e quando olhei algumas imagens me apaixonei pelo que vi. O filme começa com uma sutileza admirável, somos convidados a viver pelos olhos da pequena Jin-hee, prova disso é o uso de câmera quando a garota está próxima ao pai. – Reparem a magnitude da cena em que ela chega mais perto dele na cama.
Quando ela vai para o orfanato, vemos a dor existente naquele coração, sem recorrer ao melodrama e trilhas sonoras feitas para chorar. O ponto forte é acompanhar uma garotinha de nove anos e não apelar para um drama infantil, os suspiros e lágrimas são tratados com respeito. Respeito esse, que exige uma surpreendente atuação de Sae-ron Kim, atriz mirim que, provavelmente, terá um grande sucesso em sua carreira.
Outro ponto forte – e talvez o melhor – é a fotografia, extremamente sutil e compacto com o visual da protagonista.
O filme estreou em 2009 e é um pouco difícil encontrar, mas com certeza vale o esforço. Consegue emocionar sem ser apelativo e nos apresentar uma personagem tão delicada que, em apenas três sorrisos, nos deixa apaixonados.


Palíndromos


“Um palíndromo é uma palavra, frase ou qualquer outra sequência de unidades que possui a propriedade de poder ser lida tanto da direita para a esquerda como da esquerda para a direita.” – Texto retirado do site Wikipédia.
O diretor Todd Solondz é conhecido por seus filmes melancólicos e extremamente críticos. Seus trabalhos são tão sinceros e viscerais que é possível sentir o prazer que ele tem em realizá-los. Prova disso é que para tirar do papel seu quarto filme, Palíndromos, ele precisou gastar todas suas economias porque ninguém queria apostar no seu projeto.
O filme conta a história de Aviva, uma menina de 13 anos, que deseja desesperadamente ser mãe. Ela tenta de todas as maneiras possíveis realizar seu sonho, mas quando é impedida por seus pais, a garota resolve fugir de casa.

Palíndromos é uma obra muito particular do diretor e sua visão sobre o mundo. A personagem principal é vivida por várias atrizes e cada uma tem uma importância gigantesca com a trama. A infelicidade está presente o tempo todo e em todos personagens, e, assim como a palavra “Palíndromo”, não há para onde fugir, fazendo ou não, mudando ou não, sempre acabará no mesmo lugar.
Acompanhamos uma história que desenvolve, com delicadeza, possíveis questionamentos sobre o aborto, e o mais lindo é que tudo isso é feito atravéz de pensamentos, momentos e reflexões de crianças. Sempre com uma boa trilha sonora, é impossível não ficar chocado com a situação em que somos expostos.
Um filme extremamente reflexivo, profundo e ousado, abusa da linguagem para levantar questões moralistas e éticas, e isso o torna extremamente provocante.


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