Mostrando postagens com marcador 2012. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador 2012. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

A Big Love Story, 2012


Pessoalmente falando, entendo muito pouco de academia pois o máximo que fiz algo foi um dia, não me agrada muito o ambiente de "amo meus músculos e minha bunda", fora isso, o esporte me agrada bastante, mesmo que não tenha tido ânimo e/ou tempo para praticar algum em específico. Passei muito tempo jogando futebol, inclusive isso me acompanhou em um momento de transição física, quando criança era bem gordo e, aos poucos, fui emagrecendo. Isso faz com que sempre tenha em mente que não sou uma pessoa necessariamente magra, daquelas que pode comer de tudo e ficar parado porque não engorda de jeito nenhum ( inveja disso ). Eu sei que isso aqui não é um blog de moda onde conversamos sobre peso, aparência ou unhas, mas tudo isso faz, sim, parte daquilo que sempre escrevo, principalmente no que diz respeito ao amor próprio.

Uma das histórias da mitologia grega que sempre me fascinou é a de Narciso, o amor a própria imagem me parece, dentre todas as histórias, a mais irreal. É mais fácil desvendar o enigma da esfinge do que se amar. Eu mesmo amo demais as pessoas e, por vezes, me amo pouco. E isso é terrível, é complicado acreditar que uma pessoa consegue estar bem consigo mesmo 100% do tempo, parece que precisamos comer que nem um louco para, só depois, nos sentirmos mal com isso. 

Dentre todos os aspectos da aparência, desde espinha ao cabelo, o que mais mexe conosco é realmente o peso. Que coisa chata esse negócio de comer e engordar, nunca fui um obeso, mas posso imaginar a dificuldade que é. Carregar dois de você mesmo não deve ser fácil mas, mesmo assim, é mais fácil que ser alvo de preconceitos de outrém. 

A Big Love Story

Correndo na veia uma "alma" que só os filmes independentes tem, mas nunca o tornando por completo, "A Big Love Story" conta a história de um rapaz Sam, um obeso, que decide mudar de vida, emagrecendo, sendo assim entra em uma academia e tem como "treinadora" uma linda e enigmática mulher, por quem ele acaba se apaixonando. 

No meio do filme mais ou menos, temos uma analogia com a Bela e a Fera que, por sinal, é um dos meus contos preferidos, justamente por acreditar que é possível existir uma paixão entre pessoas tão opostas. Basta existir um espaço para mostrar quem é, o que honestamente, hoje em dia, essa é a parte mais complicada. Brincando com essa situação desde o título - "uma grande história de amor", horroroso por sinal - teremos uma dose daqueles filmes leves, carinhosos e divertidos como os da sessão da tarde, por exemplo. 

Uma outra coisa interessante é que Sam foi, no período de faculdade, um jogador de futebol, algo que está sempre vindo a tona, como se fosse um espírito mesmo. Aliás, ele largou essa vida pois sua motivação se fora, no caso sua mãe, ficando muito mais evidente essa questão pois, no seu quarto, na parede bem acima da sua cama tem escrito a frase "você é um vencedor" de modo que possa ser interpretado que aquele representa o seu único elo com o passado e, além, da sua mãe. Como se sua motivação estivesse apenas no passado e o seu peso fosse reflexo disso. Aliás, se estudarmos um pouco psicologia, veremos que o peso está inteiramente ligado com o psicológico, por isso uma pessoa com depressão que é gordinha tende a engordar e a magra tende a emagrecer, se fosse o contrário, seria ótimo essa doença, todo mundo iria querer ficar com depressão para começar a emagrecer. Enfim, nossa cabeça é a única culpada pelas transformações do nosso corpo. No filme temos um pouco dessa reflexão, mesmo que não seja o objetivo principal.

O objetivo é, mesmo, a "grande história de amor" e é justamente essa sua maior falha. Seria bom se assumisse de vez essa máscara independente e fizesse do personagem principal um isolado passeando por essas questões pessoais, lidando com o passado de uma forma mais clara, faltou o personagem se mostrar mais inteligente. Desde a conquista até algumas atitudes dele me soa muito imaturo, criando então um personagem bem irritante em alguns momentos. 

No mais, eu tentava buscar na minha mente mais algum filme que tratasse sobre a obesidade de forma explícita, sem ser documentários, e não lembrei de nenhum. Então vale pela coragem do tema, não chega a ser um "Rocky Balboa" da perda de peso, porém não é nada sério. Mas para quem está precisando de motivação para começar a se mexer pode ser uma boa opção.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Quando vi Você, 2012


Nunca tinha tido a oportunidade de assistir um filme da Palestina, mas consegui, por indicação, chegar até o trabalho da diretora Annemarie Jacir que, por sinal, foi a primeira diretora a realizar um longa por lá com o "O Sal Desse Mar" de 2008. Pesquisando sobre ela, soube que quando nova teve que deixar sua terra natal para um exílio forçado no país vizinho, fica bem claro no filme essa questão. O menino a interpreta, de alguma maneira.

O filme tem como pano de fundo a guerra, situas-se em um campo de refugiados palestinos na Jordânia, a história se passa em 1967, e todo o medo/confusão se personifica em um garoto de 11 anos que está constantemente em busca do pai, pois eles foram separados pelos confrontos que estavam acontecendo.

Desde o início temos a comprovação que a mãe do garoto tenta uma boa relação - consegue, de fato - mas somente ela não basta. Ele precisa de uma figura masculina, portanto ao longo será representado essa questão com o professor que o ignora, por ser muito inteligente, depois com os soldados, enfim, ele encontrará vários personagens que servirão basicamente como um apoio psicológico para ele, se mostrando altamente sozinho e frágil, desde a sua curiosidade pelos acontecimentos, passando pela facilidade com os números até chegar ao caminhar, tudo nele é inteiramente delicado. 


A sua inocência desperta muita compaixão, mas isso não é algo exclusivo apenas dele. Em um mundo tomado pelos horrores do conflito, eis que uma criança é o conforto dos vários corações tristes. E isso é um ponto que sempre tento procurar em filmes de "guerras". Para mim a guerra como um contexto se revela muito mais interessante do que um filme onde enaltece o heroísmo por matar, algo como "O Resgate do Soldado Ryan". Sei que existe muitos fãs desses filmes, mas ainda vejo com bons olhos filmes como "Vá e Veja" ou "Glória Feita de Sangue" onde o humanismo, sensibilidade e realismo falam mais alto. Pois matar não é fácil, pelo contrário, imagino os demônios que invadem um individuo após tais experiências, então nada mais justo que representar esse clima como um contexto. 

Junto a isso, gosto dessa ideia do olhar da criança, que por sinal já escrevi diversas vezes que sou um pesquisador dessa ousadia. Tarek, o nosso pequeno herói, é destinado, parte em rumo aos seus objetivos, mesmo que vá em direção oposta a mãe ou até mesmo ao coronel em determinada cena. Ele, após fugir de casa, encontra alguns soldados e passa a existir uma relação interessante entre eles, bem ou mal aquele é um lugar seguro para o garoto e, ainda mais, ele transmite inocência e pureza aos soldados, algo raro para eles. Apesar de destinado e maduro, ele não deixa de ser criança e se vê brincando de soldadinhos, recriando as ações do seus, até então, amigos/protetores/família. 


Um excluído que caminha em direção ao pai/proteção, se vê perdido nessa incansável busca, pois em um mundo tomado pela guerra, ninguém está totalmente seguro. Demora para o personagem se tocar disso, eu até diria que ele não chega a essa conclusão, a esperança prevalece, o que realmente destaco é que aquele lugar, de pessoas desconhecidas e soldados "insensíveis" faz com que ele se sinta o que é... criança. A vida é realmente irônica. Aliás, é muito bonita as cenas em que eles cantam envolta da fogueira, significando, talvez, a tal segurança, que todos ali buscam e, por um momento, fingem para si mesmo que o possuem.

"Onde fica nossa casa, que direção vamos?"

domingo, 24 de agosto de 2014

Ruby Sparks, 2012


Ouvi muita gente simplificando o filme para, apenas, "legalzinho". Quem sou eu para dizer o contrário, evidentemente, mas devo deixar claro que essa é uma pequena obra que mexeu muito comigo. E, honestamente, mesmo tendo conhecimento das suas limitações, "Ruby Sparks" é muito profundo. Eu diria, sem medo algum, que estamos falando de um filme denso.

Há algum tempo, eu tinha recorrentes sonhos com uma menina. Lembro-me muito  de seus cabelos castanhos e rosto arredondado. Não sei porque, mas dentre alguns dias eu ficava feliz por voltar a dormir e reencontrá-la. Os sonhos eram uma sequência da noite anterior - eu sei, é bizarro - parece que eu estava contando ( ou vivendo ) uma história dentro da minha cabeça. Não lembrava de detalhes ao acordar, apenas as sensações e, sinceramente, bastava. Não quero me colocar como o protagonista, muito menos dizer que é por esse motivo que me identifiquei, a única coisa que quero acrescentar com essa experiência, digamos, diferente, é: Histórias estão sendo criadas constantemente. Irreais ou não, não importa, a partir do momento que existe, é real. Isso vale para qualquer coisa, desde os mais misteriosos, passando pelos irrespondíveis até chegar ao sentimento, seja ele qual for.


Misturados a essa questão, podemos trazer - como o próprio filme, que é altamente metalinguístico e contemporâneo - o quão palpável se revela o ato de criar expectativas sobre alguém. O personagem principal, Calvin, não se relaciona em nenhum momento com uma namorada, somente com ele. O título "A namorada perfeita" se torna então uma grande ironia, vejam, ela não existe senão na nossa cabeça, ou seja, nós.
Muito se fala da falta de respostas que há no filme, parece bobo uma personagem saltar do livro e viver na realidade (?) Mas... Espera. Que livro é esse? O que é um livro? Não consigo classificá-lo de uma forma que não se aproxime de um portal, onde eu posso fugir e encontrar algo que me inspire. Por mais ficção que seja uma obra, o seu impacto sempre será real. 

"Ruby Sparks" começa em um sonho, a querida Ruby, surge quase como um anjo, em um lugar puro, como se fosse mesmo um "paraíso". Ela está envolta de um brilho muito forte, remetendo talvez ao calor, ao conforto, visto que o personagem principal, no caso o escritor, tem uma vida muito fria, longe de qualquer relação social que não seja motivada pelo seu trabalho literário anterior, ou seja, sua criação. Depois que ele acorda dessa primeira visão - mas quem pode confirmar que tenha sido a primeira? - vamos acompanhando o dia-a-dia do Calvin, um escritor, um tanto neurótico, que tem como amigos 1° seu irmão e 2° seu cachorro. Vive em uma casa enorme, maior ainda quando os cômodos sempre aparecem extremamente vazios, visto que só ele vive lá. Ainda mais, se não bastasse a falta de comunicação com o mundo exterior, é evidente no filme o problema dele com os telefones, ele nunca sabe qual deles está tocando, em uma metáfora interessante.


Depois de uma entrevista sobre o seu grande livro de sucesso, ele ouve pela primeira vez "você é um gênio!" no qual responde "não use essa palavra". Algo que no final do filme, ele se contradiz, remetendo-nos a elevação do próprio ego. Como se o ser gênio fosse o seu gozo e, para tal, precisaria de uma boa e delicada masturbação - que seria o próprio desenrolar do filme.
Pequenos elementos do filme nos direciona sobre a questão, dentre outras, principal, o controle. No segundo sonho que ele tem com a sua futura amada, eles se encontram no parque - dessa vez com um contexto mais realista - e conversam sobre o seu cachorro. Ela pergunta o nome e ele diz "Scott", acrescenta ainda que é uma homenagem ao escritor, romancista, F. Scott Fitzgerald, a menina real retruca com a reflexão "isso não seria uma forma de diminuição? Pegar o nome de alguém que se inspira e colocar no cachorro, de modo que possa colocar uma coleira nele e bater se fizer algo errado?". Lembrando, estamos ainda em um sonho. Ou seja, é a própria mente dele dizendo isso, como se fosse uma assombração. 


O que mais me impressiona, na verdade, é o potencial filosófico que vai se desabrochando aos poucos. Uma teia de significados, simples, divertidos e profundos que se unem para construir uma reflexão maior que seria o criador e criatura. Criamos constantemente sem, ao menos, entender a dimensão de criar. A vida a dois é muito complicada, então caminhamos em direção a estrada dos covardes, a ilusão. Vamos deixando de lado nossas convicções, o que realmente buscamos, para abraçar uma oportunidade, mesmo que várias outras foram perdidas. E o filme fala muito disso, de obsessão pelo tempo. Um drama sobre um invisível que, lá no fundo, se sentia o mais poderoso do mundo. Um ser narcisista, o que me faz pensar que todos somos. Todos somos reais e egocêntricos. Não precisa de caneta ou papel para escrever, existe outras ferramentas, outras almas. Canalizadores de medo.

Cometemos incesto diariamente, literários ou não. Lembre-se, a intenção não deixa de ser um evento real. Então, pergunto a você, em que tem pensado/imaginado ultimamente?



O escritor é um Deus. A menina a criatura perdida e a máquina de escrever sua alma. Todo relacionamento é fruto de uma ou mais criações e, após o término, estamos livres. Calvin, nosso herói/vilão controlava tudo, mas não controlava ele, ou seja, nada. Ele, no fim, após uma cena angustiante, apaga as memórias de sua cria, porém não apaga as dele. Está fadado a ser um ser amaldiçoado - ou abençoado.

"Todos vão pensar que sou louco. Não, vão achar que é ficção."


- Escrito por Emerson Teixeira que, talvez, você já tenha conhecido em uma outra vida. Posso ser real ou não, depende do que sentiu ao me sentir. Faça tudo o que quiser, mas, me prometa, não me conte o final dessa linda história.

Com carinho

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...